sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O lance é o seguinte

Blog não é lugar para desculpas, e já que sobrou um pequeno tempo no final da tarde desta sexta-feira que, novamente, parece mais um daqueles dias que comprovam a minha tese de que o Brasil virou de pernas pro ar, o que fez com que Porto Alegre virasse Manaus... "Escrever-no-ei".

Só uns tópicos a la Twitter.

- Acabei mais uma entrevista. Tenho trabalhado bastante e fazendo o que gosto: jornalismo direto.
- Tenho aprendido cada vez mais, muito mais, sobre fotografia.
- Domingo vou trabalhar o dia todo, fazendo marking of de fotos. Desta vez, sem tradução simultânea.
- Sofrerei por ter de deixar a Laura em casa e sair às 9h, mas quando se faz com gosto, vale a pena. É o nosso futuro em jogo.
- Vou convidá-la para ir junto, quem sabe? Ela não sabe disso, tomara que não fique sabendo por aqui.
- Sofrerei, também, por provavelmente estar na ativa correria de um intenso dia de trabalho quando o Colorado entrar em campo pelas 17 horas. Foda.
- Semana passada, acertei os resultados. Não arrisco palpites para este final de semana. Que aconteça tudo de acordo com o que ando pensando...

Vou ali fumar um cigarro e já volto...

- E perdi a vontade de escrever... Problemas no trabalho. Upload de material e a nada nova falta de segundos para botar em letras o que se passa neste cérebro. Espero que o Becker Times não se transforme num poço com um fundo bem fundo, onde a água se mexe no máximo uma vez por ano.

Volto outra hora.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ainda o Muro - pelos alemães

Resolvi enviar dois e-mails, bem rapidamente, para um amigo e uma amiga, ambos alemães. Queria que me contassem sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim (que aparece aí em cima em foto que fiz em agosto de 2006). Eles, aliás, são amigos entre si. Vieram me visitar em março de 2007 aqui. Linda Tacke tem 26 anos e Timo Manske, 27. Ele mora em Berlim e ela, em Bielefeld, do outro lado do país, cidade-natal dos dois.

Nos e-mails, algo aparentemente simples: um pequeno depoimento sobre os 20 anos da queda do Muro. Qualquer coisa. Embora, diga-se, eu não tenha como saber até que ponto uma declaração sobre o Muro de Berlim é "simples" para um alemão.


Me escreveram o seguinte, começando com a Linda:

"A queda do Muro foi um momento de grande surpresa para ambas Alemanhas, não importando onde tu estava, se no leste ou no oeste. Em um retrospecto, era uma mera chance em meio à divulgação da 'liberdade para viajar'. Nos primeiros anos após a 'queda do Muro', estávamos eufóricos, mas depois da mudança da moeda ficou claro que o lado oriental não era competitivo. Ainda temos, hoje, na parte leste, um grande índice de desemprego e emigração. Mesmo com esses muitos problemas, a reunificação é apreciada pela maioria.

Nasci em 1983, por isso não tenho uma vasta memória sobre o que ocorreu. Para mim, é normal viver em um país 'unido'. Há algumas semanas, fui para Leipzig e fiquei contente pela oportunidade que tenho em poder visitar todas as partes do meu país. Feliz por ter essa liberdade".


Timo:
"Cara, foi realmente engraçado a celebração 20 anos pós-Muro de Berlim. Na verdade eu esqueci disso, não li jornais e fui à universidade naquela segunda. Usei bastante o sistema de transporte público durante todo o dia. Foi um dia realmente normal na minha visão. Mas quando assisti TV à noite, me dei conta do que estava acontecendo em Berlim. Estava rindo ao ver o quão empolgadas as pessoas estavam em todo o mundo quando vi as notícias. Tudo aquilo aconteceu a apenas quatro estações (de metrô) de onde moro e eu consegui esquecer.

Acho que este é um dos poucos dias na história da Alemanha que não tem sangue. Talvez em cinco anos eu irei lá novamente quando David Hasselhoff cantar 'I've been looking for freedom' de novo."


A quem interessar possa...

Linda:
"The fall of the wall was at the moment a big surprise, for each German, whether you were a West - or an East German. In retrospect it was a mere chance through the publication of the 'freedom of travel'. In the first years after the 'fall of the wall' we had a big euphoria in Germany, but after the change of our currency it became clear, that the eastern part of Germany wasn’t competitive. We’ve still today in the eastern part a high unemployment rate and a high emigration rate. Although we’ve still many problems, the German reunification is appreciated by the majority of the Germans.

I was born in 1983, so I’ve no big memory about the events. For me it’s normal to live in an 'united' country. A couple of weeks ago I’ve visited Leipzig and I’m really glad about the opportunity to visit every part of my country, happy. Just to have the freedom."

Timo:
"Man it was really funny with the celebration 20 years after berlin wall. Actually i forgot it, didn't read newspaper and had university at this monday. And I used the public transport system a lot at this day and it was a really normal day in my eyes. But when i watched TV in the evening I first realized what was going on in Berlin. And I was laughing how excited the people were all over the world when I watched the news. This all happened just 4 stations away from my flat and I forgot it.


I think this is one of the less days in history of Germany which was without any blood. Maybe in 5 years I will go there when David Hasselhoff is singing 'I've been looking for freedom' again."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tu vê...

Como se diz por esses lados aqui do Sul do Sul, "tu vê". Estamos na época em que a Fernanda Young sai na Playboy, uma estudante é expulsa da universidade porque veste minissaia, dez Estados do Brasil sofrem um apagão generalizado numa noite qualquer de terça-feira, com aviões no ar, navios no mar e carros ao léu.

Tudo bem a Young sair na Playboy, afinal, o corpo é dela e é ela quem deve decidir o que faz com ele. Os textos dela seguem sendo geniais de qualquer forma. O ensaio até que ficou legal, muito embora eu acredite piamente numa interferência radical de um negócio que inventaram ali por 90 e poucos, tal de Photoshop. Mas é só um palpite. Vai saber. Foda-se também, todas as outras saíram mais gatas que o natural devido a isso, da mesma forma. E contando que a Playboy é, justamente, pequena dose de nu artístico para imitar a vida, tá valendo.

Nada bem é uma aluna ser expulsa de uma universidade porque usa vestido curto ou minissaia. Estamos em 2010 mesmo? Me pergunto isso constantemente. Mary Quaint, coitada, dizem que deu pulinhos onde quer que esteja, mas orgulhou-se ao mesmo tempo quando viu a notícia. Ela fez chocar. Mary Quaint é o gênio do último mês: conseguiu chocar um país de merda em pleno final de 2009 com um desenho que lançou em 66. Que beleza! Sério, estamos quase em 2010 mesmo? De verdade?

Nada bem, também, é o fato de um país que pretende se tornar desenvolvido e que, portanto, no momento, ainda é SUBdesenvolvido por essas e por outras, ter um apagão instantâneo em pelo menos dez Estados e fazer com que isso provoque atrasos, pânico, escuridão, dando um cravaço no meio da produção. Legal. Perdemos alguns milhões de reais. Seremos recompensados, certamente...

Não consigo entender por que as bostas dos nossos governos, que entram e saem e pouco alteram essa ordem sem progresso, não investem um pouco na colocação da nossa eletricidade por baixo da terra e o problema estará resolvido. Fios subterrâneos já, falta de luz nunca mais, ruas mais bonitas, poluição visual muito menor, vamos lá! Sinceramente, consigo, mas prefiro deixar quieto. Ah, a paciência, uma dádiva.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Respirando Berlim

Foi em agosto de 2006 que tomei um trem da Holanda em direção a Berlim. Sete horas entre o interior da Alemanha e a capital federal que, hoje, celebra os 20 anos do fim do fim. E o início de uma nova geração de alemães, de cidadãos e de mundanos que, obviamente, não querem por nada a repetição de um filme de terror.

Em Berlim, respira-se História, inspira-se e expira-se simplesmente Berlim. É lá que se ouve, nas ruas, que a festa techno do dia anterior, "cara, ocorreu no 'bunker' do Hitler. E a atmosfera e a sonorização, lá dentro, eram fantásticas..." Sem comentários.

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Naquele 9 de novembro de 1989, milhares de alemães foram à fronteira devido a um pequeno "furo" na comunicação. A questão estratégica do Século XXI abriu as portas - e suas comportas - já no final do Século XX. A prova disto? Aqui. Resumindo: em uma entrevista coletiva, o então porta-voz do governo da então Alemanha Oriental "se passou". Günter Schabowski disse que as leis para viagem entre uma Alemanha e outra haviam sido alteradas e que as pessoas, portanto, tinham acesso livre tanto para um lado quanto para outro. Isso pegou até os governistas de surpresa, ao que um jornalista italiano, astuto e curioso como todo jornalista deve ser, trata de emendar em uma pergunta: "e a partir de quando isso começa?" - "Agora", respondeu Günter. Foi o suficiente para a multidão partir em direção ao muro e colocá-lo abaixo. Em detalhes, a história está contada no link anterior.

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Coincidentemente - algo que só me dou conta agora - eu estava em Berlim em um 13 de agosto. De 2006. Quarenta e cinco anos antes, em 1961, justamente, o Muro começou a ser erguido. Fui aos portões de Brandenburgo, caminhei sobre os paralelepípedos que hoje compõem o trajeto que o muro traçava, tirei fotos tomando uma Coca na ponta original do Muro, caminhei um quilômetro e pouco em volta dele, olhando, observando, imaginando, fui de leste a oeste como se atravessasse os arames farpados, pulasse as barricadas, corresse dos cachorros, desviasse dos tiros, dos binóculos, e caísse no Ocidente. Uma experiência fantástica e triste. Empolgante e estranha. Histórica e claustrofóbica. Mesmo ao ar livre.

Na antiga Berlim Oriental, não é raro observar bandeiras da antiga República Democrática Alemã (a comunista e, portanto, oriental). Assim como também não é incomum ver pessoas com calças e jaquetas jeans calçando All-Star preto e branco, com bigode e cabelo mullet para complementar. Para alguns, o mundo ainda seguia ou segue parado, mesmo com jovens universitários vindos de toda Europa tomando as ruas, enchendo suas caras com ótimas cervejas e conversando qualquer coisa entre árvores e flores de um verão agradável, de dias ensolarados e temperatura próxima dos 30 graus. Jovens que moram nos antigos prédios comunistas, dotados de um preço de aluguel bem mais barato que os oferecidos no lado ocidental, valorizado, rico e desenvolvido.

Em agosto de 2006, Berlim ainda estava sendo reconstruída. Dormi no apartamento de um amigo espanhol justamente no lado oriental da cidade. Tudo cinza. Alguns prédios começando a colocar vasos e arranjos coloridos nas janelas e sacadas, mas a maioria ainda era muito cinza, muito escura, sem detalhes, com arquiteturas idênticas. Há pouco mais de três anos, o lado oriental de Berlim ainda se reerguia para reconfortar-se junto ao "democrático" leste.

O memorial dos mortos, os pedaços das paredes enormes de mais de três metros, a sensação de temor absoluto, a renovação, o fim de uma Era e o início de outra, a História viva, nua e crua. A minha impressão é a de que Berlim sempre será dividida ao meio. Não necessariamente por um muro tal qual aquele, que envergonha, que afasta e que mata, mas que, concomitantemente, deixou um rastro cultural muito forte na vida de cada "Berliner".

Quando a vergonha esfaleceu

Vinte anos. Lá se vão vinte anos. E mesmo não sabendo se é pior ou melhor, eu lembro ainda que sem muitos detalhes memoriais daquele 9 de novembro de 89. Foi-se o Muro de Berlim. Foi-se uma Era. Começara outra. O grande acontecimento do Século XX havia virado realidade e o mundo inteiro parou para ver. Deu na TV, deu no New York Times e em todos os demais veículos aquilo que os alemães já proclamavam - embora às vezes em absoluto silêncio ou discrição - há alguns anos. Na verdade, desde sempre.

Não vou ficar aqui relatando a sua História, seus calços e percalços. Isso a Deutsche Welle, por exemplo, fez muito bem. Eu relato o que penso, e o que penso é que o Muro de Berlim - o Muro da Vergonha para os alemães ocidentais - separava dois tipos de vergonha. O capitalismo venceu e perdurou, entre crises e colapsos, possivelmente provando que, dentre os sistemas disponíveis, ainda é o menos pior.

Basicamente, de um lado, o tiro vinha pela frente. De outro, pelas costas, tal qual o mundo é hoje, tal qual o mundo sempre foi e sempre tende a continuar sendo, feliz ou infelizmente falando. Apenas não nos esqueçamos de que ainda há outros também vergonhosos muros a serem derrubados. Fronteiras em Israel e nos Estados Unidos provam isso de forma concreta. Literalmente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Alô?

Era do "Alarme" da empresa.

- Alô? Alô? Aaaaa-llllllôooooo?

E assim foram mais ou menos outros sete "alôs" sem sucesso.

Passava da meia-noite e eu, cansado, já tinha ido deitar. Só queria saber de dormir. Uma quantidade relativamente grande de textos me esperava aqui na redação no outro dia. Era terça pra quarta, eu tinha chegado da aula de alemão exausto depois de um dia igulamente movimentado.

O telefone que toca, e que está na cozinha, é o do meu pai. À meia-noite e 25 minutos, gera um barulho estridente pela casa toda, mas o casal Becker está dormindo tranquilamente, com a porta fechada, e quem levanta da cama para atender à chamada não-correspondida sou eu.

Volto para a cama, deito-me novamente e... "triiiiiiiimmm... triiiiiiimmmmm..." Levanto, vou até a cozinha, e atendo: "alô? Alô? Alllllôoooooo? ("porra, mas que merda", penso)... Alô? Se alguém está aí, saiba que não estou ouvindo... Vou desligar... Obrigado." Desligo e ele toca de novo. "Alô? Aallllôooooo?" Vou para a cama, não dá dois minutos e aquela merda toca de novo. Só não levanto gritando porque penso que paciência é uma virtude e tê-la consigo, sempre que possível, é preciso. Ou faz-se necessário.

- Alô? Alôoooo??

Como meu irmão e meu pai trabalham à noite, pensei que algo poderia ter acontecido durante o turno, já que meu pai havia ficado em casa e meu irmão poderia estar ligando sei lá eu por que, talvez pedindo por socorro ou dando um toque para chamar a polícia, vai saber...

Depois de vários insucessos e da paciência ter sido extinta, os olhos estarem inchados e já não enxergarem mais nada devido à luz fluorescente da cozinha, liguei para o meu irmão... Antes de a ligação ser devidamente efetuada, ele liga para o mesmo telefone e, antes que ele diga algo, eu esbravejo: "ô meu, aconteceu alguma coisa?" - "Não, não, só estamos testando o alarme... Chamou aí? Beleza! Sinal que deu certo! Valeu!"

...

John

Legal. Parece ser massa. Gosto de filmes biográficos, que tratam de contar histórias da maneira mais real e fiel possível, por meio da ficção (interpretação plena, digamos).

Aí está o que vai sair sobre o John. John Lennon. Enjoy it.



Notícia aqui, por NOISE.