segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Gre-Nal 379

Quando eu digo, aqui, inúmeras vezes, que o Gre-Nal é um clássico de grande rivalidade, mas também de grande disparidade, tem gente que não acredita...

Foi um jogo atípico porque fui sacaneado pela minha namorada. Não, não fui enganado, ludibriado, pisoteado moralmente (para não dizer corneado), muito embora a situação tenha sido quase tão constrangedora quanto. No meio da semana passada, eu e a Laura conversamos sobre onde assistir ao Gre-Nal de ontem, 19h30min. "Na minha casa, em Porto Alegre! Já que temos formatura sábado à noite, a gente dorme lá e vê o jogo na minha casa, tranqüilamente...", disse ela.

Ao que rebati: "Mas Laura, teus irmãos vão estar onde? Praia? Teus pais não vão estar, sei, mas e os teus irmãos?" (meus dois cunhados são gremistas)

Ela disse que não voltariam da praia, PROVAVELMENTE, logo, tudo sob controle. Balela. Por volta das 19h, não só os dois chegaram - com todo o direito e o poderio de assistirem ao clássico no sofá da sala - como também outros três amigos. Contando esses cinco, mais a Laura e a minha concunhada, eram sete. Sete gremistas e eu, ali, perdido, solitário, sem saber se saía, se ficava, se me enfiava na cozinha e escutava apenas...

No entanto, fui até o quarto, vesti a vermelha, coloquei uma outra vermelha ao redor do pescoço e parti para me sentar em uma das poltronas. Pronto pra guerra.

Quis o destino que em um detalhe o Inter marcasse um gol até que bonito para um Gre-Nal, mas meio sem querer no fim das contas. Bom, quando a bola batia no joelho do Jardel, há uns 15 anos, o lado de lá também não falava nada... Logo, comemorei. E gritei sozinho em meio a um silêncio atônito, estático, que perguntava-se: "o que o Joílson faz em campo?" e esbravejava "e o Souza não joga mais merda nenhuma!", levantando-me e dando socos no ar com a camiseta em punho, com uma vontade louca de soltar já de voz rouca um "chupa, gazela! VAMO INTEEEEER!", algo tipo aquela empolgação que praticamente só no estádio é passível de se conviver em paz. Na paz daqueles segundos que sucedem um gol em Gre-Nal.


O jogo
Foi parelho. Marcado, pegado, porém até que jogado e aberto demais para um Gre-Nal, com boas chances criadas dos dois lados. Ambos os ataques foram quase ineficientes, com (pra variar) boas defesas de Victor e algumas boas tiradas da zaga do Inter, que na verdade mal deixou algum gremista se aproximar da área para valer.

O gol foi um detalhe, vindo de um lançamento despretensioso de Andrezinho, que elevou a bola para frente, levando-a a cair (e bater) nas costas de Edu, sobrando para Alecsandro, que guardou. Traves, chutes, carrinhos, cartões, diversos passes errados e faltas absurdas marcadas pelo juiz para os dois não interferiram no resultado do jogo. Se alguém tivesse que vencer, seria o Inter.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Um sul-africano no Beira-Rio



Ano de Copa do Mundo, volta ao Beira-Rio ontem, recomeça o ano, a temporada do futebol. Graças. Já estava com saudade. Misturando o Gigante com a Copa, que vai ser na África do Sul, publico um post que venho prometendo há tempo e que, sei lá eu por que, ainda não tinha sido publicado. É bem simples: as leves e resumidas impressões de um sul-africano, o Werner, que mora em São Leopoldo, e que eu carreguei junto para o estádio no já distante setembro de 2008, em um jogo do Inter contra o Vitória, vencido pelo Colorado por um a zero.

Seguem textos. Nas fotos acima, eu, ele (de óculos de grau), o Lucas Gonçalves (que em questão de meses será o progenitor de mais um colorado no mundo) e o Beira-Rio naquele dia.


"Tendo ido a um jogo de futebol no Reino Unido, devo dizer que há uma grande diferença na atmosfera e no entusiasmo do torcedor entre os dois países. No jogo do Inter há uma parte da multidão que foi absolutamente insaciável, não apenas quando alguém marcava um gol, mas literalmente o jogo todo - realmente maravilhoso. A torcida em si consiste em pessoas de todas as idades e tipos de vida - outro exemplo de como futebol agrupa todo mundo. O melhor, para mim, foi um pequeno menino, talvez cinco ou seis anos de idade, que ficava completamente louco toda vez que o Inter chegava perto do gol. Parece que o amor pelo Inter começa desde cedo.

Fora isso, a experiência toda antes do jogo foi bastante diferente também. As pessoas brincavam, falavam umas com as outras, e foi também muito legal de ver como as pessoas fazem novos amigos facilmente (especialmente se estão vestindo camisetas do Inter).

No fim das contas, foi uma experiência brilhante."


"Having been to a football game in the UK, I must say that there is a big difference in atmosphere and supporter enthusiasm between the two countries. At the Inter game there was a section of the crowd that went absolutely ballistic, not just when somebody scored, but literally the whole game - was truly amazing. The crowd itself consisted of people from all ages and all walks of life - another example of how football brings everybody together. The best for me was a small boy, maybe 5 or 6 years old that went absolutely nuts everytime Inter came close to a goal. Seems that the love for Inter starts from a young age.

Apart from that the whole experience before the game was very different too. People were joking, chatting with each other and was also very nice to see how open people were to making new friends (especially if they were wearing Inter shirts).


Overall it was a brilliant experience."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Burro é quem faz burrice

Ouvi novamente esta frase grafada no título ao assistir pela - sei lá - quinta vez ao clássico Forrest Gump, depois de chegar da praia, ontem à noite. E foi lá, na praia, que percebi que o ser humano, quando quer, é muito, mas muito burro.

Em um certo ponto em frente ao mar, em Capão da Canoa, uma bandeirinha vermelha grudada a uma estaca, simples, bem simples, dava conta de avisar aos banhistas que, ali, a questão de cinco metros para dentro, havia perigo. Na bandeirinha, estava escrito algo como "Perigo de banho. Mar perigoso".

Depois de resgatarem um gurizão de seus 16, 18 anos, que portava uma prancha e pés-de-pato (sem comentários), nas proximidades do aviso, os salva-vidas trataram de começar a dar aquele alô ao pessoal que ali entrava. Eu fico me perguntando: uma bandeirinha vermelha e com letras garrafais pretas dizendo que ali mora o perigo não é suficiente para manter seres humanos - sendo que a maioria não sabe nadar direito - longe do dito local? Não, não é.

O que me deixou atônito foi o fato de um salva-vidas partir na direção de um cara a fim de alertá-lo, só que o cidadão deveria estar meio estressado (sol, cerveja, mar, beira da praia, só coisa ruim...), se virou e empurrou/tabefeou o salva-vidas. Acreditem, é verdade. O cara agrediu o salva-vidas, que tentava ajudá-lo. Salva-vidas é brigadiano. E o resto da história virou BO.

Nessas horas eu me pergunto até onde vai a burrice do ser humano, bem sinceramente falando.

Programa Volta, Becker!

Quando o esforço não compensa o resultado final, talvez a tentativa não tenha sido nem válida.

Visto que joguei muito mal no futebol da semana passada - e que mal consegui correr -, o Deivid resolveu criar o Programa Volta, Becker! Na natação, eu até que estou bem. Mas fazia mais de um ano que não jogava futebol, logo, minhas pernas tentaram, mas não conseguiram me obedecer. Segue, abaixo, meu programa de recuperação.

"Programa
Volta Becker:

de 22 à 27/jan - período 'acaba com o sedentarismo' - caminhadas progressivas iniciando em 30 minutos, aumentando 10 minutos ao dia até chegar a 1 hora.

de 28/jan à 05 fev - período 'vou conseguir correr; pouco, mas vou' - corridas de 10 minutos, caminha 5, corre mais 10, iniciando com 3 corridas e terminado com 5.


de 06/fev à 15/fev - período 'quase um Forest' - corridas de 40 minutos evoluindo até chegar em 1 hora.

de 16/fev à 28/fev - período 'talvez possa ser atacante do Cerâmica' - corridas diárias, abdominais e treinamento 'chuta a bola na parede'.

Galera, a partir de março talvez possamos contar com o velho
Becker Crespo e marcar um jogo revanche contra os pais dos guris que jogaram ontem..."

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Para ganhar o dia

João do América. Esse cara é um torcedor-símbolo. Tenho certeza de que quer o bem do time e, por isso, para descarregar toda a energia acumulada devido a uma semana intensa de trabalho - e décadas sem ver o time ganhar porra nenhuma, resolve esbravejar. Para quem não sabe, o América é um dos times mais tradicionais do Rio de Janeiro, o famigerado América do Rio, ou Ameriquinha, time do pai do Romário, por exemplo.

Só que desde os anos 60 não vence um campeonato sequer, isto é, as gerações foram se desapegando ao América e o seu número de torcedores diminuindo, diminuindo... Os poucos fiéis são caras como este aí, o tal do João.

Para caras como eu, que estão acostumados a ver figuras como esta nos estádios (principalmente nas sociais, local onde não costumo assistir as partidas), garanto que este vídeo anima até quem está devendo para um mafioso. É ótimo pelo fato de que a vontade de ver o time ganhar se mistura à simplicidade e ao estilo chulo de ser por meio da corneta, do xingamento, dos palavrões e do nervosismo.

Fora-de-série.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Complicado

É duro parar para fazer qualquer análise relativamente consciente e convicta sobre o jogo de ontem. Formei um time. Ou uma tentativa de time para jogar contra o Ananá Futebol Clube, do qual meu primo (o Pedro, vulgo Pepê) faz parte. Vou tentar, aqui, fazer uma breve avaliação sobre o desempenho de cada um dos meus queridos e experientes atletas que foram sufocados pela juventude-a-todo-vapor. Sem a mínima chance.

Isso porque a derrota de 8 a 1 é uma farsa. Não pelo fato de termos perdido uns oito gols "feitos", mas sim porque o adversário poderia ter vencido por 25 a 2... Talvez. Não, não queremos revanche. Agradecemos.

Cello - nosso goleiro, o melhor do nosso time (para vocês terem uma idéia!). Basicamente, foi ele o cara que mais correu. Parece mentira, bobagem, estupidez, mas não é, o Cello foi, sim, o cara que mais correu e, já que ele era o goleiro, paro o comentário sobre ele por aqui... Nota 7.

Pão de Ló - o nosso xerife esteve ausente. Deve ter ido passear no Velho Oeste e ainda não voltou. Perdeu bolas fáceis, errou passes, cobrou lateral errado, isso depois de correr antes da partida uns bons quilômetros. Tá aí: vai ver foi exercício em demasia... Muita cachaça, xis, pizza e falta de bom senso com os companheiros. Nota 5.

Jones - o "melhorzinho" da nossa linha. Correu, lutou, marcou, olhou feio para os guris como um bom zagueiro, mas nada adiantou. A gurizada passou voando por ele, principalmente quando ele subia para o ataque para tentar resolver o problema da falta de gols. Um coringa. Um valente coringa, porém limitado devido à incansável boemia. Fato: a boemia e as mulheres acabaram com a promissora carreira do Joninho. Pobre Joninho. Nota 6.

Deivid - até que correu, até que lutou, até que tentou marcar, mas esse "até" aí não levou o time a lugar algum! Logo... Pára, Deivid! Tem que parar com esse negócio de big-doce, Deivid! Pão com toucinho, Deivid! Refrigerante pra caramba, Deivid! Muita ceva com limão, Deivid! Vodka com batata-frita, Deivid! Enfim: pára! Tá na hora de parar. Nota 4.

Higor - não sabia se era zagueiro, meia ou atacante. Pensou na possibilidade de ser o coringa que sempre sonhou em ser. Só pode. Ia pra frente e lá ficava. Ia pro meio e ali permanecia, parado, estático, sem gerar segurança ao time... Atuação deprimente. Nota 4.

Cleber - Quis fazer o meio, quis fazer o ataque, mas não fez bosta nenhuma. Tá, pelo menos tentou algumas bolas, tomou quase que um pontapé no rosto, cobrou escanteios a la Marcelinho Carioca nos áureos tempos, mas não demonstrou todo o futebol do seu período de profissional. É fato: as mulheres, a bebida e aquele cigarrinho amigo acabaram com a carreira do Cleber. Triste. Nota 4.

Becker - preferível não comentar. Como diria o Cabral, "este não ganha nem nota".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Deixem Fossati pitar

Juro que achei que estavam de brincadeira comigo quando criaram aquela polêmica em volta do cigarro que o técnico do meu time, Jorge Fossati, costuma fumar nos treinamentos e também nos jogos.

Antes de mais nada, que fique claro: eu sou fumante, sim, eu não fumo em restaurantes, eu sou contra fumaça em restaurantes e na cara de quem não fuma, porque incomoda, porque não é saudável, porque é isso e porque é aquilo. Não acho que devemos fumar também em supermercados, farmácias, ônibus, metrô e etc. Sou mesmo favorável a isso, contrário à proibição em bares. Porque o bar é o lugar que o cara vai para encher a cara e fumar. Afogar as mágoas ou comemorar uma vitória - seja lá de que tipo - nas ondas dos goles de cachaça ou junto ao ballet que a fumaça coreografa no ar.

Agora o técnico do Inter passa a ser questionado porque pita um crivo no meio do treino, enquanto trabalha, ou porque provavelmente vai querer pitar durante os jogos. Sabem o que eu acho disso tudo? Um grande punhado de abobrinhas. As pessoas perderam a capacidade de se preocupar com o que realmente importa.

Há quem diga que ele "mancha" a entidade esportiva à qual representa. Não entendo por quê. Pessoas adultas estão aí para fazerem o que bem entenderem com suas vidas, talvez até com seus pulmões, circulação sangüínea e pressão arterial... Então deixem de ser moralistas baratos e parem de encher o saco do cara. Deixem Fossati fumar! E tranqüilamente.

O fato de crianças, jovens e outros adultos assistirem ao ato de Fossati fumar, agora, virou desculpa porque eles podem ver aquilo como um péssimo exemplo. Um bom exemplo, não é, mas não é por causa disso que o número de fumantes ou não-fumantes irá aumentar ou diminuir drasticamente no Rio Grande do Sul. Por favor.

Sou filho de pais não-fumantes e fumo. Conheço inúmeras pessoas que são filhos de fumantes e nunca colocaram um cigarro na boca. Querem proibir o pito do Fossati durante os jogos? Olha, até que esta idéia não é tão absurda visto que esporte e cigarro não combinam, mas, se o cara quer fumar, por ficar tenso, nervoso, num jogo qualquer, qual o problema? A fumaça vai para as narinas de outrem? Não. Logo...

Ok, concordo em proibir as tragadas do Fossati... Isso, vamos proibir, vamos colocar em prática toda a nossa vontade de proibir. Vamos fazer uso da nossa capacidade de ditar regras e aplicá-las em sociedade, tal qual as nossas leis, que nascem, polemizam-se por si só, crescem, desaparecem e morrem sem que a Justiça possa sequer esboçar alguma reação...

Isso, isso mesmo. Proíbam. Proíbam tudo. Mas proíbam, também, as propagandas de bebidas alcóolicas que aparecem em meio à programação ou mesmo nos intervalos dos jogos em que inúmeras crianças, jovens e outros adultos estão assistindo. Sabem como é, isso não é um bom exemplo e incontáveis destes pobres humanos podem se transformar em alcóolatras futuramente... Ainda mais com o Ronaldo, um cara nada conhecido e que quase não inspira a nossa querida juventude, aparecendo em uma delas.